Mostrando postagens com marcador Roteiro de HQ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roteiro de HQ. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, julho 11, 2007

O Urubu Ataca à Noite - I

Seguinte: assim que o pessoal do F.A.R.R.A. começou a falar em projetos de HQ´s próprias, eu resolvi tentar uma também. Mas que fazer? O óbvio de criar um super-herói?

Isso não ia resultar em nada, já existem tantos por aí, normais e avacalhados, querendo achar um espacinho no mercado...

Aí peguei uma idéia que já tinha discutido com um amigo em mesa de bar várias vezes: como seria um super-herói de verdade? Quer dizer, se um cara resolvesse assumir o manto de super-herói, comprasse uns troços e saísse por aí de noite tentando combater o crime?

A inspiração principal foi Dom Quixote e suas idéias cavaleirescas; adaptando para o nosso tempo, o fulano só podia querer ser um herói. No lugar da loucura resolvi colocar uma mistura de crise de meia-idade com depressão profunda causada por um divórcio traumático, mais a vontade de impressionar o filho. O essencial, o patético, eu mantive.

O resultado, a princípio, foi bom: um desenhista de primeira linha (Junparkbr) assumiu o trabalho, realizamos esboços e começamos a ir em frente. Depois tudo sumiu, e o projeto estagnou.

Não fiquei muito feliz, especialmente porque tinha gostado muito dos esboços e da idéia do personagem. Então resolvi seguir em frente, de qualquer jeito. Comecei a desenhar as páginas eu mesmo - infelizmente não sou nada comparado ao desenhista original - e contatei um pessoal para a arte final. E está andando. Devagar, mas vai. Vamos ver o que sai disso...

Aí em cima você vê a arte original do Junpark. Embaixo tem a primeira página arte-finalizada pelo blognambulo. Depois ainda falta colorir e colocar as letras. Ainda não tenho ninguém pra fazer isso, mas, se precisar, eu mesmo faço. Afinal, oficina de quadrinhos é para aprender, mesmo.

A idéia é fazer o primeiro número como experiência, e, com isso como ponto de partida, propor a série - que já tenho em esquema - completa para alguém que entenda do negócio pôr para diante. Seriam 24 números em uma história completa e fechada. Não, não vou dizer o final.

Enfim, pra quem gostou, ou ficou curioso, aí vai a página com a arte final. Mais esboços e páginas podem ser vistos no F.A.R.R.A. Abraços.






segunda-feira, julho 09, 2007

Preto, Branco, Espelho

Bão...
Tava aqui pensando em uma HQ ilustrada, preferencialmente em preto e branco ou efeitos de tinta. Aí fiz um roteirinho (só as palavras) para uma possível ilustração. Achei bom. Logo, publico aqui. Talvez mais tarde no F.A.R.R.A...
Enfim, lá vai:

O homem de preto veio até mim e disse:
- Ei, filho, você é pequeno e tem idéias pequenas. Eu trouxe uma coisa fantástica pra você: vinte séculos de culpa.
Ele me disse que um deus acordara no escuro. Que parira o bem e o mal, e dessa distinção nascera a culpa, que ele louvava.
“Sinta-se culpado”, ele me disse, “pois sua culpa é maravilhosa e lhe salvará quando nada mais importar”. Eu lhe disse que não gostei da culpa, e ele me olhou com desprezo.

O homem de branco veio até mim e disse:
- Ei, filho, você é enorme e tem idéias grandes. Eu trouxe nada para você.
Ele me disse que uma explosão de nada parira um universo de energia em movimento, e em uma pequena partícula deste universo o acaso, que ele louvava, evoluíra até a vida sensciente. E um dos efeitos deste acaso monstruoso havia sido meu nascimento.
“Baseie-se nos fatos”, ele me disse, “não aceite nada que sua razão não puder admitir”. Eu lhe disse que não gostei do Acaso, e ele me olhou com desprezo.

Fui até um espelho, e o homem do espelho veio até mim e disse:
- Meu chapa, se você tem que escolher entre o acaso e a culpa, você está em maus lençóis.
Ele me disse de minhas dúvidas, e de minha ânsia em encontrar respostas. Depois concluiu que talvez algumas de minhas perguntas fossem sem respostas. Me disse que encontrar significados era parte de ser humano, e que viver na dúvida era apenas uma das adversidades desta condição.
Eu lhe disse que não gostava da dúvida, e ele me olhou com desprezo.