segunda-feira, agosto 20, 2007

Puteada 11/09

Dia 11 de Setembro de 2001 eu estava tomando um café na frente da TV (caixa maldita de barulho), quando tocou o telefone.

- Alô.

- Alô. E daí, viu o ataque aos Estados Unidos?

Nessas, não sei o que deu, mas entendi “dos” Estados Unidos.

- Ah, vi, sim. Um horror, né?

Não sei se você lembra, mas naquele tempo os EUA estavam mandando ver no Iraque, acertando escolas, hospitais, qualquer coisa que não fosse um alvo militar. Assim, ao ouvir falar as palavras “Estados Unidos” e “ataque” na mesma frase, nada mais natural que assumir que os agressores eram ao americanos. Afinal, era a praxe.

Daí eu estranhar quando o meu amigo saiu comentando “Pô, que horror”, “mais de duas mil pessoas” – que eu achei um eufemismo, tinha morrido muito mais gente. Mas concordei com quase tudo (era manhã, eu ainda estava tomando café) e desliguei, estranhando todo aquele excitamento. Foi o trabalho de desligar e ter que levantar o fone de novo. Outro amigo, outra reação exacerbada.

- Tu viu na TV?

- Vi. Caixa grande, parte da frente de vidro. Fica em cima da estante e grita com você.

- Deixa de ser bobo. Viu o acidente? Naquele momento ainda estavam chamando de “acidente”.

Aí, relutantemente, tirei a TV do Ligeirinho e comecei a assistir a reportagem, com o telefone na mão. “Cagaram no mundo, maninho!!”, gritava a voz no telefone, e eu tentava desengolir a dentadura. Porque mesmo naquela manhã estava claro que era uma taque organizado aos Estados Unidos. Por quem, e de que forma, ainda não sabíamos. Estaríamos diante da Revolução?

A que esperávamos? A que mudaria o mundo e NOS colocaria no topo? Quem sabe não conseguíamos uma boquinha em algum lugar? E, na pior das hipóteses, o Bush tinha ido! Já não era pouca coisa.

De repente o mundo parou. Sendo eu uma parte do mundo, acho que exagerei na colocação.
Deixa eu reformular: o RESTO do mundo parou. Eu fiquei ali, abismado, no silêncio. E tinha um fulano me olhando no canto da sala. A minha mente realizou um rápido cálculo, com o susto – que parece ser o único jeito da minha mente fazer um cálculo rápido – e vi que atirar o café nele não ia adiantar nada. Além do que, ele estava na frente da janela. E era o meu avô.

Fora de brincadeira, meu avô falecido há anos tava ali, com a mesma boina fedorenta que ele se recusava a tirar, o mesmo jeitão de quem não está à vontade junto ao resto da espécie humana, o mesmo tudo. Ele mesmo.

Estava fumando um palheiro de cheiro horrível, cheio de lembranças de infância. Eu estava mais ou menos com a expressão e a atitude daquele quadro “O Grito”, de Munch. O velho me olhou feio. Aí comentou:

- É triste ver um parente se divertindo com a morte de milhares de pessoas.

Até pensei em argumentar “mas eles são americanos”, mas senti que não ia rolar. E também não teria tempo, porque o ruído do mundo retornou, e tudo voltou ao normal. A diferença básica era de que eu havia levado uma mijada e, sim, me sentia envergonhado de minha óbvia falta de sensibilidade. Como estou até agora. Bate. Bate, que eu güento!!!

5 comentários:

Negrito disse...

Caracas!!! O segundo na busca do google!?!? Q moral!!! hehehehe

nao sabia nao...

Excelentes estórias q vc está postando no seu blog....

e o Urubu!?! Como está?!?

Quando vc tiver algo pronto, me manda pra gente tentar fazer ago por aqui ok!?!?

Abraços amigo!!!!

Mainardi disse...

Eita...
quem sou eu pra te censurar...se teu próprio finado vô já o fez!

A referência ao Munch foi a cereja no topo do bolo (ou melhor, a azeitona no martini!)...hohoho!

Blognâmbulo disse...

Lembro que vi quando tinha tv a cabo na cagada e praticamente vi a colisão do segundo avião, praticamente, em tempo real. Se essa guerra fosse de igual a igual, censuraria os iraquianos por esse ato covarde, claro que não vai deixar de ser um ato covarde, mas os EUA e Israel fazem pior lançando bombas contra agricultores e alvos civis para conseguirem mais terras.

É uma pena, mas lutando em desigualdade deixam o terrorismo como opção de ataque.

Negrito disse...

Vamos atualizar esse blog!?!?

Eu quero ler mais coisas!!!!

ABs!!!

Peladonas do Brasil disse...

O agente 47 (Tim Olyphant) foi criado para ser um matador de aluguel. Suas armas mais poderosas são a ousadia, assim como o orgulho e o brio que tem na execução de seu trabalho. O número 47 representa os dois últimos dígitos do código de barras tatuado em sua nuca, e é também o único nome que ele possui. Mas o dia passa a ser da caça quando 47 se vê envolvido em um golpe político. Tanto a Interpol quanto os militares russos perseguem o assassino profissional pela Europa Oriental, enquanto ele tenta descobrir quem tramou contra ele e por que estão tentando tirá-lo da jogada. E a maior ameaça à sua sobrevivência talvez sejam sua própria consciência e as emoções desconhecidas que uma garota bonita e sofrida desperta nele.

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